Pedro Monteiro, 28 anos, começou a vender espetinhos numa calçada emprestada por um dono de oficina mecânica, no Maranhão, em 13 de setembro de 2024. O investimento inicial foi de R$ 319 — o suficiente para comprar arroz, farinha, itens de salada, carne e espetos.

Dois anos depois, o negócio, batizado de Nabroca Spetto's, fatura cerca de R$ 250 mil por ano e ganhou projeção nacional com o "churrasco no balde", prato que viralizou nas redes sociais e já soma mais de 4,7 milhões de visualizações em um único vídeo.

ideia de empreender na gastronomia já rondava Monteiro havia anos. Antes de abrir o próprio negócio, ele recolheu material reciclável com carrinho de mão, trabalhou em lava-jato e chegou a cursar parte da faculdade de gastronomia, interrompida para ajudar em casa.

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Depois, passou nove anos no setor de telecomunicações, onde liderou equipes comerciais até virar gerente. Foi uma palestra do empresário Geraldo Rufino, somada a uma frase que ouviu de um empreendedor local — "ninguém está pronto para começar algo, ficamos prontos durante o processo" — que o fez decidir arriscar. Dez dias depois, nascia o Nabroca.

O começo foi duro. No primeiro dia, uma sexta-feira, Monteiro vendeu 10 espetos. No terceiro, apenas três, e chegou a pensar em desistir. Um vídeo gravado por um perfil local, mostrando o ponto na calçada, mudou o rumo do negócio e trouxe os primeiros clientes fixos. Em 22 de novembro daquele ano, o Nabroca ganhou um espaço próprio, resolvendo o problema da falta de cobertura durante o inverno maranhense.

Do balde de farofão ao produto que virou marca

ideia do balde nasceu de um costume local: depois dos jogos de futebol, era comum reunir o grupo na calçada para comer farofa e beber refrigerante servido em bacias. Monteiro adaptou a lógica para o churrasco. "Por que não servir em um balde?", pensou, segundo ele, na época algo inédito na região.

O produto, hoje padronizado em recipientes de 6 litros, é montado em três camadas de arroz temperado, purê, vinagrete, farofa e carne grelhada, finalizado com banana, queijo coalho e geleia de pimenta. Custa R$ 129,99 e rende, em média, de seis a sete porções — o suficiente para atender o público predominantemente familiar do negócio, que costuma vir em grupos de quatro a cinco pessoas.

Apesar de ser o produto símbolo da marca, o balde não é o mais vendido. Esse posto pertence à cumbuca de churrasco, item mais barato e de giro mais rápido: para cada 50 cumbucas vendidas, saem em média dois baldes.

O cardápio inclui ainda barcas e uma linha de sanduíches autorais, lançada semanalmente, com nomes de cidades por onde Monteiro passou trabalhando antes de empreender.

O vídeo que travou o WhatsApp

Em resposta a comentários que diziam que o prato tinha "mais arroz do que carne", Monteiro gravou um vídeo mostrando a montagem completa do balde, camada por camada. "Pode perceber que é só um pouquinho de arroz que a gente coloca, só pra colocar mais carne lá em cima", disse, encerrando o conteúdo de forma bem-humorada ao convidar o público a experimentar o prato.

O vídeo, publicado em 5 de agosto, ultrapassou 4,7 milhões de visualizações e mudou a rotina do negócio: no auge da repercussão, o WhatsApp da empresa chegou a receber uma média de dez mensagens por minuto, obrigando a equipe a suspender temporariamente o atendimento remoto e concentrar as vendas no presencial.

gestão das redes sociais hoje é feita pela mesma influenciadora que gravou, sem cobrar, o primeiro vídeo que colocou o Nabroca em evidência fora do Maranhão. Novos conteúdos são publicados a cada 15 dias.

Estrutura enxuta e delivery via WhatsApp

O ponto físico do Nabroca comporta oito mesas, número que aumenta à noite, quando o lava-jato vizinho fecha e cede parte do espaço. A operação é tocada por uma equipe de cinco pessoas: Monteiro, três funcionários e um motoboy.

O delivery é feito por entregador próprio e, para rotas mais distantes, pelo serviço 99Entrega — o negócio ainda não está cadastrado em aplicativos de marketplace de comida, e as vendas são fechadas por WhatsApp.

Depois de fechar 2025 com faturamento bruto de R$ 249 mil, a expectativa para 2026, impulsionada pela viralização, é faturar entre R$ 350 mil e R$ 400 mil. Os planos para os próximos cinco anos incluem abrir unidades em outros municípios do Maranhão, estruturar um food truck e criar um formato de atendimento rápido, no estilo drive-thru.

Para quem pensa em empreender, o conselho de Monteiro é direto: "Não espere ter rios de dinheiro ou uma estrutura impecável. Comece com o que tem em mãos, vá para a rua, valide o seu produto na base e tenha coragem para enfrentar o processo."

FONTE/CRÉDITOS: Por Felipe Lessa