A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), junto ao deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), participou da denúncia de estupro contra o candidato à vice-presidência da República, Alfredo Gaspar (PL-AL). O caso ocorreu em março, após a CPI do INSS, em que Gaspar era o relator. Pouco tempo depois, Soraya recebeu o empenho de R$ 65,29 milhões em emendas parlamentares do Governo Lula.

O suposto crime envolvendo Gaspar teria acontecido 8 anos atrás, entre o parlamentar e uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado.

Na última quinta-feira (6), o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ordenou que a senadora prestasse mais informações sobre a acusação apresentada contra Gaspar para auxiliar os investigadores na busca por mais provas, com o objetivo de decidir se este é um caso de abertura de inquérito.

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A Reportagem, a senadora afirmou que, após muitos indícios de o caso ser real, não poderia deixar de cumprir um dever em não levar à PF (Polícia Federal) a denúncia que recebeu sobre o deputado Alfredo Gaspar, mas que esta denúncia não era para ter sido tornada pública.

Soraya também afirmou que a sua relação com o Governo “nada tem a ver com isso”.

“Sobre a questão da denúncia do Alfredo Gaspar, eu fiz a minha parte, não poderia prevaricar. Eu recebi a denúncia no meu gabinete e o que fiz foi enviar à PF (Polícia Federal). Não era pra ela ter sido publicizada, mas no rompante legítimo do deputado isso aconteceu. Foi legítimo porque foi atacado e ele estava indignado”.

Em março, através das redes sociais, a senadora insistiu em pedir a Gaspar que fizesse um exame de DNA. Para ela, esta atitude colocaria “uma pá de cal no assunto”. Entretanto, Soraya disse que não devia o ônus da prova.

“Para esclarecer os leigos, mas também os não leigos mal-intencionados que estão tumultuando o caso do DNA do deputado: nós não temos o dever de provar absolutamente nada”, escreveu. “A investigação de paternidade no Brasil tem início sem provas, é óbvio! Caso contrário, não haveria necessidade de se processar. A rainha das provas, nesse caso, é o exame de DNA”, completou

Anteriormente, em outra publicação, desta vez feita no domingo, Soraya disse que pediria desculpas públicas a Gaspar caso um exame de DNA não confirme a acusação de estupro: “Caso ele não seja o pai biológico, pedirei desculpas em público pelo constrangimento causado”, declarou Thronicke.

Questionada sobre os recentes desdobramentos do caso, envolvendo o depoimento do comerciante Luis Antonio Lopes sobre uma suposta armação contra Gaspar, a senadora optou por não se manifestar sobre o assunto, considerando que o caso está na Justiça para investigação.

“Como eu não devo abrir a minha boca sobre a tramitação desse inquérito que corre contra Alfredo Gaspar, porque ele tramita em segredo de justiça, eu não vou falar”, declarou Soraya Thronicke.

Exame atesta para não paternidade de Gaspar

Em abril, o deputado realizou o exame de DNA na Polícia Científica de Alagoas por iniciativa própria para afastar a suspeita de que seria pai da suposta paternidade da criança, colocando seu material genético à disposição da PGR (Procuradoria-Geral da República) e da Polícia Federal.

Gaspar apresentou, então, uma representação contra Lindbergh e Soraya por calúnia, denunciação caluniosa, injúria e coação no curso do processo.

O caso ainda não resultou em denúncia da Procuradoria-Geral da República. A notícia-crime está em fase de análise e, ao mesmo tempo, as queixas-crime apresentadas por Gaspar e pelos congressistas tramitam no STF sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.

“A honra exige a conclusão desse assunto. Não precisa medida prévia. A gente quer ir às últimas consequências, a gente quer já fazer o DNA e acabar com essa conversa“, declarou Gaspar durante entrevista a jornalistas, após ser anunciado como candidato à vice-presidente pelo PL.

Governo Federal empenhou R$ 65 mi em emendas de Soraya Thronicke no primeiro semestre deste ano

Em dezembro de 2025, o Congresso Nacional aprovou o projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para 2026. No texto, o relator do projeto, deputado Gervásio Maia (PSB-PB), definiu que o Governo Federal deveria pagar, até junho deste ano, pelo menos 65% das emendas parlamentares obrigatórias, recursos que os deputados e senadores têm direito de direcionar para suas bases.

ALDO funciona como um guia para organizar as contas públicas, definindo os limites de gastos do Ministério Público, do Legislativo e do Judiciário.

Segundo dados do Siop (Siga Brasil e do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento), Thronicke recebeu atualmente R$ 68 milhões em emendas parlamentares do Governo Federal. No total, o Orçamento da União de 2026 prevê R$ 74,01 milhões em emendas para a parlamentar.

Indagada sobre o empenho do Governo de R$ 65,29 milhões ter acontecido à época do fato envolvendo Gaspar, a senadora disse a Reportagem que o valor foi liberado para todos os parlamentares, inclusive os pendentes do governo anterior.

“As emendas foram liberadas neste ano para todos os parlamentares, absolutamente todos. Se você for procurar todos os senadores e senadoras, todos os deputados e deputadas, tiveram as suas emendas individuais liberadas, inclusive emendas do Governo Bolsonaro de execução obrigatória. Eu tinha emendas de 2021 e 2022 que ele não liberava, que ele deveria fazer, porque ele não tinha o direito de fazer isso. Então o Governo Lula tratou todo mundo igual”.

Thronicke enfatizou ainda que o fato de ter o empenho relacionado à posterior data da acusação contra Gaspar não passava de uma retórica montada pra tentar “macular a sua imagem”.

“Não há em nenhum lugar, se houver você pode até me mostrar, se houve diferença entre mim e outros parlamentares. Nenhuma, absolutamente nenhuma. Isso é uma retórica, um discurso montado. Não aguento mais a palavra ‘narrativa’, mas é retórica montada pra tentar macular a minha imagem, porque em verdade nem mesmo o presidente Lula sabia disso sobre o Alfredo Gaspar”, afirmou a parlamentar.

Thronicke ainda disse acreditar que Lula sequer sabia do suposto caso de estupro envolvendo o candidato à vice-presidência da República, e que este fato foi recuperado pela imprensa.

“Nunca soube e está sabendo agora, após a indicação do nome de Alfredo Gaspar para vice do Flávio [Bolsonaro], porque a imprensa trouxe este fato à baila. Segundo eu saiba, porque nunca conversei com ele sobre isso. É uma narrativa. Emendas foram liberadas, emendas legítimas, de direitos dos parlamentares para seus estados, como qualquer outro”, finalizou a senadora.

FONTE/CRÉDITOS: ND Mais