Brasília não cresceu devagar como as outras capitais brasileiras: foi planejada e construída em pouco menos de quatro anos, inaugurada em 21 de abril de 1960 para tirar o país do litoral e ocupar o interior. O desenho é de Lúcio Costa, que traçou a cidade em forma de avião (ou de borboleta, dependendo de quem conta), e os prédios são obra de Oscar Niemeyer, que passou décadas desenhando curvas de concreto onde antes só havia chapada. O conjunto do Plano Piloto virou Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco em 1987, a primeira cidade do século 20 a receber o título e, até hoje, a mais jovem entre os patrimônios urbanos do mundo.

A cerca de 1.170 metros de altitude, Brasília tem duas estações bem marcadas, sem muita zona cinzenta entre elas. De outubro a março chove praticamente todo dia, com tardes quentes e pancadas fortes que lavam o Eixo Monumental. De junho a setembro a chuva some quase por completo (em alguns anos passam mais de cem dias sem uma gota) e a umidade do ar despenca, às vezes abaixo de 20%, a ponto de a Defesa Civil do DF decretar estado de alerta ou emergência. É um clima seco de verdade, que resseca pele, olhos e garganta. Quem visita a cidade nesses meses costuma viajar com hidratante e soro fisiológico na bagagem.

O que compensa a aridez do ar é o céu. Sem morros ou prédios altos no caminho, o horizonte de Brasília é imenso, e o pôr do sol sobre o Lago Paranoá, visto da Ponte JK, virou programa oficial da cidade, com gente se organizando para chegar cedo e garantir lugar. Fora isso, é uma capital de museus e praças vazias que parecem cenário de filme, com uma vida noturna concentrada em poucos endereços. Rende menos como destino de compras ou de multidão, e mais para quem gosta de arquitetura, história recente do país e um tanto de silêncio.

FONTE/CRÉDITOS: Revisado por Myllena Vieira · Editora