A Chapada dos Veadeiros é um dos lugares mais antigos da Terra que se pode pisar: o platô é formado por rochas de mais de 1,8 bilhão de anos, ricas em cristais de quartzo que dão ao chão um brilho próprio. Tudo gira em torno de duas bases — Alto Paraíso de Goiás, a cidade mais alta do Centro-Oeste, a 1.232 metros, e a pequena Vila de São Jorge, na porta do Parque Nacional. O Patrimônio Mundial Natural reconhecido pela Unesco protege um dos últimos grandes blocos de cerrado de altitude, com fauna e flora que não existem em mais lugar nenhum.

O que se faz aqui é caminhar e se molhar. O Vale da Lua, esculpido pelo Rio São Miguel, parece uma paisagem lunar de rocha cinza polida pela água ao longo de milênios. Dentro do parque, a trilha dos Saltos do Rio Preto leva a duas quedas de 80 e 120 metros, e a dos Cânions e Cariocas mistura paredões de pedra com poços rasos perfeitos para crianças. Fora do parque, as Cataratas dos Couros somam uma sequência de cachoeiras numa propriedade particular, e a Loquinhas tem piscinas naturais em desníveis suaves.

Mas a Chapada não é só dia. Por ficar longe de grandes cidades, em altitude e com ar seco no inverno, o céu noturno fica entre os mais limpos do Brasil — Alto Paraíso vira ponto de observação de estrelas, e a região alimenta há décadas uma cultura alternativa de comunidades, terapias e cristais. O clima ajuda: o cerrado tem duas estações bem marcadas, um verão chuvoso de novembro a março, quando as cachoeiras enchem, e um inverno seco com dias quentes e noites que podem ficar surpreendentemente frias no platô.

FONTE/CRÉDITOS: Revisado por Myllena Vieira · Editora