Lopes Mendes costuma aparecer em qualquer lista das praias mais bonitas do Brasil, e quando você chega entende o motivo. São quase três quilômetros de areia branca e firme, dura ao pé, com um mar verde que troca de tom conforme o sol anda. Não há quiosque, não há prédio, não há estrada: para chegar você caminha cerca de duas horas saindo do Abraão pela trilha da mata, ou pega um barco até Pouso e completa o último trecho a pé. É esse esforço que mantém a praia como ela é.

A ilha inteira funciona assim. Mais de cem trilhas cortam a mata atlântica que cobre quase todo o terreno — do Pico do Papagaio, a 980 metros, com vista para a baía toda, até caminhos curtos que ligam uma enseada à outra. O Saco do Céu, a Lagoa Azul e a Gruta do Acaiá rendem dias inteiros de barco e máscara: a visibilidade dentro d'água é boa, e há naufrágios e costões que fazem de Ilha Grande um dos melhores pontos de mergulho do Sudeste.

No centro de tudo está a Vila do Abraão, onde os barcos atracam e onde você vai dormir e comer. Não circula carro na ilha — o transporte é o próprio pé, a bicicleta ou o barco —, e isso muda o ritmo da viagem inteira. As ruas de areia se enchem ao entardecer, os restaurantes põem mesa na frente, e o silêncio à noite é de lugar sem motor. Quem busca resort e badalação se decepciona; quem quer natureza com pousada simples e bom peixe encontra o lugar certo.

FONTE/CRÉDITOS: Revisado por Myllena Vieira · Editora